O segredo da caminhada não está no ritmo, não está na distância, não está no preparo físico e sim na contemplação das surpresas que lhe reservam o Caminho! (mauro josé ramos)
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Pontos importantes Escola de Atualização Catequética SPI
Pontos Importantes:
A catequese em sua dimensão eclesial e evangelizadora, extrai todo o ensinamento da Revelação Divina, que se compõe da Tradição (oral) que veio dos Apóstolos e da Tradição (escrita), a Bíblia.
Tanto para os primeiros cristãos, bem como para os judeus, a Bíblia é a Escritura Sagrada, o fundamento e princípio para a fé e a vida.
Relação
entre Tradição, Escritura e Magistério (DV, 10);
A Verdade sobre a Escritura (DV, Cap. III);
Afirma que toda Bíblia é inspirada por Deus
(DV, 11);
A catequese em sua dimensão eclesial e evangelizadora, extrai todo o ensinamento da Revelação Divina, que se compõe da Tradição (oral) que veio dos Apóstolos e da Tradição (escrita), a Bíblia.
Tanto para os primeiros cristãos, bem como para os judeus, a Bíblia é a Escritura Sagrada, o fundamento e princípio para a fé e a vida.
O Plano
de Emergência nos textos referentes à Renovação Paroquial e a Renovação do
Ministério Sacerdotal destaca:
§ Valorizar a pregação,
Promover e incentivar
o Movimento Bíblico. É necessário que os paroquianos entrem em contato com
a palavra de Deus, que a conheçam, amem e vivamA Catequese é um processo
A
Catequese é um processo
Processo é a realização contínua e prolongada
de algumas atividades para que se alcance os
objetivos.
Habilidade
Determinação
Unidade
Sintonia
Criatividade
Conhecimento
Sensibilidade
Flexibilidade
É preciso considerar :
O tempo necessário
para a sua realização, Clareza dos objetivos
a serem atingidos, Condições favoráveis
para um bom desenvolvimento
do conteúdo e do crescimento de nossos catequizandos
como pessoas e cristãos.
obs: Alguns pontos que estudamos na escola desse ano SPI òtima.
Temos no Facebook ABC REGIONAL SUL I
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Mística:
O ROSTO DA NOSSA ESCOLA DE CATEQUESE
*Por Pe Geraldo Raimundo Pereira
Revendo
nossa história... Olhando os caminhos percorridos
pela evangelização, percebemos variadas formas de anúncio da Boa Nova. Nesta
caminhada a Catequese sempre esteve presente na educação da fé. Os tempos
fizeram a catequese marcar mudanças e neste contexto podemos observar quatro
fases com características próprias.
1º
CATEQUESE - INICIAÇÃO À FÉ E À VIDA COMUNITÁRIA (tempo dos apóstolos)
Foi o
período do anúncio do evangelho feito pelos apóstolos. Despertava para o
seguimento de Jesus Cristo, como processo de conversão; vivência fraterna na
comunidade; celebração litúrgica centrada na partilha da Palavra e do Pão e no
cuidado com a vida de todos os necessitados. Era uma catequese que conjugava a
vida com a experiência de fé.
2º
CATEQUESE - IMERSÃO NA CRISTANDADE (mais
ou menos do século V ao séc. XVI)
Toda a
pessoa que nascia nesta sociedade já mergulhava na vida cristã. Não existia
outra prática de fé reconhecida, senão a religião cristão. Aquilo tudo
contribuía para a vivência religiosa: costumes, arte, música, devoções... A
pergunta principal era: O que devo fazer para alcançar a vida eterna?
* A fé
estava ligada aos deveres cristãos;
* vivência
cristã individualista e pouco comunitária;
* a
catequese deixa de ser voltada à Palavra de Deus e perde sua força missionária;
* a vida
cotidiana se mistura com a fé, porém sem muito compromisso transformador;
* o
Batismo de crianças se generaliza e a catequese de adultos deixa de existir;
* a
família, a pregação, a oração... eram responsáveis pela catequese.
3º
CATEQUESE POR INSTRUÇÃO (A partir do séc. XVI até
o Vaticano II).
O
cristianismo desse tempo se tornou enfraquecido, frente a uma vivência de fé
sobre atos secundários: devoções, confrarias, procissões e sustentada por uma
ignorância religiosa. Foi, também, um tempo de grandes acontecimentos como: a
Reforma Protestante, Concílio de Trento, descoberta da imprensa, ocupação das
terras latino-americanas, difusão das escolas, mudanças no modo de pensar,...
Para fazer
frente às exigências desse tempo, a catequese utilizava-se do catecismo, que se
tornou o principal instrumento da difusão da fé. A catequese passou a chamar-se
de doutrina. Assim a catequese sai da família e da igreja para ir ao meio
escolar, como ensino obrigatório.
1. O
melhor cristão era aquele que mais sabia sobre religião e não aquele que se
comprometia com a vida e a vivência da fé.
2. A
atenção era dada as crianças e não aos adultos.
3. O
importante era a fidelidade às fórmulas valorizando a exatidão e a clareza do
ensino doutrinal.
4. O
catecismo tornou-se um referencial de segurança sobre as questões de fé.
4º
CATEQUESE - EDUCAÇÃO PARA A FÉ E A VIDA (A
partir do Vaticano II até os nossos dias)
Frente a
uma Catequese racional, fria, abstrata, centrada nas fórmulas, era preciso
voltar às fontes e apresenta-la com um novo rosto adequado para os nossos
tempos. Com o Vaticano II, a Igreja abre suas portas para o novo e renova sua
presença no mundo como sinal do Reino.
Em 1983,
no Brasil, a catequese ganha um grande impulso com o documento da CNBB n.º 26
“Catequese Renovada”, Orientações e conteúdos. Nele se define a prática
catequética: “A catequese é um processo de educação comunitária, permanente,
progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da Fé”.
Sua
finalidade é a maturidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de
libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar no Reino definitivo
(CR 318). Suas características principais:
· Leva em
consideração a pessoa e a comunidade;
· A Bíblia
é o livro fonte;
· O adulto
é o principal destinatário;
·
Centralizada no segmento de Jesus Cristo;
·
Privilegia a opção pelos pobres.
A
catequese é elemento fundamental e constitutivo da Igreja e, portanto, para
toda a Igreja e para todos (DGC 218).
O EUNUCO
ETÍOPE (At 8,26-40) E A NOSSA ESCOLA DE CATEQUESE
O eunuco
etíope é um homem cujo nome nós não sabemos. Sua conversão abrange quinze
versos da Escritura e nunca mais é mencionado. Contudo, por causa dos detalhes
revelados sobre a sua salvação, é um homem muito importante. Um eunuco era um
escravo, preparado desde a infância ou juventude para ser um servo por toda sua
vida. Este eunuco era o tesoureiro da Etiópia, uma posição de prestígio, sob o
reinado da rainha Candace. Era certamente um homem bem educado e também muito
religioso, pois viajou centenas de milhas através de montanhas e desertos para
adorar em Jerusalém. Apesar de ter adorado na mais solene cerimônia judaica do
ano, seu coração estava vazio e destituído de paz, sentando-se em sua
carruagem, procurou as Escrituras em busca de um raio de esperança para sua
pobre alma perdida.
Claro que
foi Deus quem fez o sentir seu coração vazio e lhe mostrou que tinha uma
necessidade profunda. Sem dúvida o eunuco sentiu sua profunda de encontrar-se
como pessoa. O episódio do encontro de Filipe com o eunuco etíope, narrado
pelos Atos dos Apóstolos, começa mostrando um primeiro passo importante que é a
necessidade de “conhecer” a Sagrada Escritura e “interpretar a Palavra”.
Percebe-se claramente no texto que o eunuco quis conhecer a Sagrada Escritura e
Filipe foi chamado a interpretá-la.
Quando
Felipe foi até o eunuco, encontrou-o lendo o livro de Isaías, capítulo 53.
Perguntou-lhe se entendia e o eunuco admitiu que precisava de alguém para
auxiliá-lo em explicar o texto. É isso que é catequizar. Felipe subiu em sua
carruagem e, a partir daquele capítulo mesmo, anunciou-lhe Jesus.
A sagrada
Escritura é o livro por excelência do catequista, portanto se faz necessário
que o catequista descubra a revelação de Deus. Neste encontro do eunuco com
Felipe, nasce o rosto de nossa escola. Ela começa a surgir como caminho para o
conhecimento.
Conhecer e
interpretar a Palavra de Deus, buscar os ensinamentos da Igreja, a pessoa
humana e suas dimensões, isto é, descobrir-se como pessoa capaz do ser, do
saber e do saber-fazer.
O episódio
do encontro de Filipe com o eunuco etíope, estabelece, a partir do anuncio de
Jesus, a comunhão com Ele, a partir da oração com a Palavra.
Narra-se:
Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura,
anunciou-lhe Jesus. Eles prosseguiram o caminho e chegaram a um lugar onde
havia água. Então o eunuco disse a Filipe: ‘Aqui temos água. Que impede que eu
seja batizado? ’. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eunuco (At,
8,35-38).
O texto
apresenta claramente que graças à interpretação da Sagrada Escritura feita por
Filipe, a Palavra leva o etíope à sua adesão de fé em Jesus Cristo; conhece e
interpreta o texto de tal modo que o guia ao encontro pessoal com Jesus Cristo,
enquanto Palavra salvadora de Deus; celebra a fé, recebendo o Batismo, tornando
possível a alegria da salvação.
Seguindo
os passos da Animação Bíblica da Pastoral que “é ajudar a perceber e vivenciar
a revelação do mistério de Deus e do homem (Palavra de Deus), presente na
Sagrada Escritura, mediante a comunhão e o diálogo permanente com o próprio
Jesus Cristo, a revelação divina em plenitude”, nossa escola vai ganhando agora
um corpo.
“Na base
de toda a espiritualidade cristã autêntica e viva, está a Palavra de Deus
anunciada, acolhida, celebrada e meditada na Igreja” (VD 121).
A escola
de catequese do nosso regional precisa de uma marca, um rosto, assim como
acontece com organizações bastantes serias. Veja bem, o que não tem rosto, não
tem identidade, não tem fisionomia. Não é mania nem fanatismo, é um recurso bem
humano de dar rosto ao que fazemos. Nossa escola precisa marcar, fincar-se no
chão da historia da catequese, precisa entusiasmar, numa linguagem bem popular,
precisa “causar”. Sabe porque? Ninguém se entusiasma por uma coisa que não tem
rosto, uma fisionomia.
Mística da
escola de catequese não tem muito a ver com sentido espiritualista ou
contemplativo de Deus, de seu mistério, mas no sentido de Espírito que anima o
projeto de vida, pessoal ou grupal. Essa mística determina os objetivos, os
princípios, a metodologia, as relações humanas de nossa escola regional. É ele
que aponta a direção para onde se caminha. É a mística que ajuda a atingir com
segurança o objetivo traçado pela escola.
O que
pretendemos com esta escola? Ser um caminho formativo do discípulo missionário.
O catequista é um discípulo missionário. Olhando para o texto de Felipe e o
eunuco etíope (At 8,26-40), percebemos claramente que Felipe é a figura do
catequista e o eunuco, alguém em busca do encontro com Deus. Felipe anuncia
Jesus, a Palavra de Deus ganha voz em Felipe. É Deus quem fala na nossa voz.
Sabe por que isso acontece? Porque o verdadeiro Catequista tem:
· Na
cabeça a fé no valor da dignidade humana.
· Nos
olhos: A capacidade de enxergar a presença de Deus na realidade.
· Nos
ouvidos: A escuta respeitosa e atenta.
· Na boca:
O sorriso da alegria e da esperança.
· Nas
mãos: A disponibilidade solidária e a partilha generosa.
· Nos pés:
A coragem de desinstalar-se e sair, por fidelidade ao Evangelho.
· No
coração: O amor e o compromisso pela vida, adesão e seguimento a Cristo vivo.
Podemos
dizer que encontramos a nossa mística, o nosso rosto. Temos um texto bíblico
para nos iluminar, um objetivo para ser alcançado e um lema para seguir. Veja
como fica a nossa marca, o nosso rosto:
Tema: Caminho
para o Discipulado Missionário
Lema: Fala
Senhor na nossa voz. (At 8, 26-40).
Vamos
assumir esta mística, ela é a luz que iluminará toda caminhada de formação. A
mística vivida em comunidade desperta entusiasmo e capacidade para superar as
barreiras. Ela une forças, sem anular as pessoas e os projetos pessoais
válidos. A mística deve marcar a escola, os catequistas e os professores.
Vamos
cantar:
a)
Ref.: Aleluia, aleluia, aleluia! Jesus Cristo vai
falar! Aleluia, aleluia! Ide pelo mundo o Evangelho anunciar! Mas como
invocarão aquele em quem não creram, E como podem crer se ainda não
ouviram,
E como
podem ouvir se não houver quem pregue, E como pregarão se não forem
enviados?
b)
Vejam, fui além das fronteiras, espalhei boa-nova: todos filhos de
Deus ! Vida, não se deixe nas beiras, quem quiser maior prova: venha ser um dos
meus!
Ref.: Por
onde formos também nós que brilhe a tua luz! Fala Senhor na nossa voz, em nossa
vida. Nosso caminho então conduz, queremos ser assim! Que o pão da vida nos
revigore no nosso "sim".
Que
o Senhor da vida, realize em nós o milagre da multiplicação de nossos esforços
no serviço da Catequese.
Vamos
concluir este momento com esta oração, fazendo seu um dos símbolos.
Senhor
faça de mim um catequista:
• Agua:
que faz crescer a vida, através de tua Palavra;
• Ponte:
capaz de unir distâncias, separações, desencontros, desafetos, trazendo alegria
no viver.
• Caminho:
que aponta para mais esperança, coragem e confiança diante dos desafios da
sociedade.
• Porta:
que abre passagens para os excluídos encontrarem mais dignidade;
• Luz:
capaz de iluminar as situações humanas, para descobrir nelas o teu rosto;
• Sal: que
possa dar gosto e sabor a todos os chamados da catequese;
• Perfume: capaz de exalar a ternura,
a bondade, a amizade, nos diversos ambientes de convivência;
Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo. (Sl 41,3) - Assim como o povo de Deus no deserto, experimentou a
provação, particularmente da sede. Jesus nos convida a saciarmos com água viva.
Todos nós cristãos
somos chamados a transformar o mundo. Ser luz, ser sinal de vida, de esperança
e apontar para Cristo que salva a todos.
TU ÉS A LUZ,
SENHOR, DO MEU ANDAR, SENHOR, DO MEU LUTAR, SENHOR, FORÇA NO MEU SOFRER. EM
TUAS MÃOS, SENHOR, QUERO VIVER.
A luz é a
Ressurreição de Jesus. Assim deve o catequista que crê em Jesus Cristo e
continua sua missão: ser luz para iluminar e orientar. É preciso, pois, no
mundo urbanizado, retomar a vivência comunitária, característica fundamental da
primeira Igreja. É lá que brilha a nossa luz.
Como catequistas,
uma vez seduzidos por tão grande amor, não podemos ficar parados, quietos.
Somos convidados a carregar nossa cruz e seguir os passos do Mestre. Dizer-se
cristão é assumir como projeto de vida o que Jesus fez e viveu. Configurar-se
com o Mestre não é fácil, é por isso que Ele mesmo nos diz:
“Se alguém quer me
seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24).
Eu sou o caminho, a
verdade e a vida!
Caminhar é ir em
busca de metas, prever um fim, uma chegada. O catequista é alguém que caminha e
ajuda outros a mover-se na construção de um mundo mais humano e cristão.
Se caminhar é
preciso, caminharemos unidos, e nossa voz no deserto fará brotar novas fontes.
E a nova vida na terra será antevista nas festas. É Deus que está entre nós em
esperança solidária.
Bibliografia
Bíblia de
Jerusalém - revista e atualizada- São Paulo: Paulus, 2002.
PAPA BENTO
XVI. Exortação Apostólica Verbum Domini - São Paulo: Paulinas 2010.
CNBB Doc.
26 - Catequese Renovada –orientação e conteúdo – 1983.
CONGREGAÇÃO
PARA O CLERO - Diretório Geral para a catequese - 5ª ed. - São Paulo: Paulinas,
2009.
CNBB Doc.
84 - Diretório Nacional de Catequese - 10ª ed. - São Paulo: Paulinas, 2011.
CNBB Doc.
50 - Formação dos Catequistas. Paulinas, São Paulo 1990.
CNBB Doc.
95- Ministério do Catequista. 2 ed. São Paulo: Paulus, 2008
CNBB Doc.
Instrumento de estudo, Escolas Catequéticas- Orientações.apostila-pp 6-7. 2012
CADERNOS
CATEQUÉTICOS. “Espiritualidade do Catequista”. São Paulo: Palcos, 1998.
DIOCESE DE
OSASCO. Espiritualidade do Catequista: caminho, formação, vida na missão
catequética. São Paulo: Paulus.
CRUZ,
Terezinha Motta Lima. Este Mundo de Deus: educar para a espiritualidade do
cotidiano. São Paulo: Paulus, 1999.
domingo, 7 de outubro de 2012
Animação Bíblico-Catequética Diocese de São Carlos: ACONTECEU NO Iº SIMPÓSIO DE ANIMAÇÃO BÍBLICO DA ...
Animação Bíblico-Catequética Diocese de São Carlos: ACONTECEU NO Iº SIMPÓSIO DE ANIMAÇÃO BÍBLICO DA ...: ACONTECEU NO Iº SIMPÓSIO DE ANIMAÇÃO BÍBLICO DA PASTORAL Na parte da manhã, a 1ª conferência foi assessorado por Padre Bo...
terça-feira, 2 de outubro de 2012
DO DISCÍPULO EMERGE O MISSIONÁRIO
CATEQUESE EM ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO
O discípulo é aquele que vivencia a força envolvente e transformadora de caminhar com Jesus e alarga seu coração na dinâmica do Reino. Não é o discípulo que escolhe o mestre, mas o Mestre que convida o discípulo ao seguimento e de maneira intrínseca à missionariedade: anunciar o Evangelho a todas as nações (cf. Lc 24,46-48) é compromisso essencial do discipulado. Assim como Jesus faz seus discípulos participarem de tal dimensão, hoje o convite se estende àqueles que fizeram a experiência do encontro, de aprender caminhando, ouvindo e agindo com o Mestre: “Conhecer Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher” (DOCUMENTO DE APARECIDA, p.17).
A missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, é extensão testemunhal da própria vocação. “A maior alegria do discípulo é colocar-se a caminho para anunciar a boa nova do Evangelho, indo incansavelmente ao encontro dos outros, especialmente dos pobres e sofredores [...]” (ANÚNCIO QUERIGMÁTICO E EVANGELIZAÇÃO FUNDAMENTAL, CNBB).
Discipulado e missão são duas faces da mesma moeda: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só ele nos salva (cf. At 4,12). De fato, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro (DOCUMENTO DE APARECIDA, p.76).
Na Bíblia o termo missão é central e está ligado a grande iniciativa salvífica de Deus em Jesus Cristo. A missão de Jesus é envio que procede do Pai e se realiza sob a ação do Espírito Santo; esta mesma missão é comunicada aos apóstolos: “Assim como o Pai me enviou, eu envio vocês” (cf. Jo 20, 21), com o objetivo de evangelizar a todos os povos. “Este mandato tem sua fonte na Trindade, começa a ser realidade desde a encarnação e se desenvolve como redenção ou resgate-libertação da humanidade inteira” (DICIONÁRIO DE CATEQUÉTICA, p.753). A Igreja, portanto, é por sua natureza missionária : a missão não é algo acrescentado à comunidade eclesial e ao discípulo, mas é razão de ser, sua própria natureza. A Igreja existe para evangelizar, levar a boa notícia a todos os ambientes, transformar a partir de dentro e renovar a própria humanidade; para isso, necessita contar com os discípulos missionários.
A Igreja é chamada a anunciar a salvação em Cristo e o Reino de Deus, mas só pode fazê-lo demonstrando sua solidariedade e sua disposição de serviço para com toda a humanidade, sua atitude de diálogo na busca da verdade e sua capacidade de gerar comunidades onde já se vive de algum modo aquela comunhão com Deus e com os irmãos, que é realização germinal do Reino de Deus.
O mandato missionário, dado aos doze, é dado a toda a Igreja, que os doze e os demais discípulos constituem no início. É a Igreja que vai em missão e cada missionário fará sua missão em comunhão com a Igreja. De fato, Jesus, desde o início de sua vida pública, mostra que seu projeto é reunir os filhos de Deus. Este povo terá como lei o amor, o amor a Deus e ao próximo (HUMMES).
No presente contexto, atitudes e procedimentos missionários bem esclarecidos são essenciais. Os discípulos missionários precisam desenvolver generosamente uma mentalidade missionária para o sucesso da evangelização: testemunho pessoal e comunitário; presença pessoal e caritativa em meio às pessoas; fazer-se amigo dos interlocutores, diálogo e respeito ao diferente; favorecer abertura às perguntas sobre temas como o sofrimento, a morte, esperança, o mal; inserir elementos básicos no anúncio: a misericórdia de Deus, a vocação das pessoas humana à vida eterna no Reino de Deus, a lei do amor ao próximo, Jesus Cristo e salvação da humanidade etc.
Outra forma de descrever a missão de Cristo e da Igreja está no múnus profético como ministério da Palavra de Deus, o múnus sacerdotal como ministério litúrgico ou do culto, o múnus real (régio) como ministério do governo ou pastoreio do Povo do Deus.
O Povo de Deus participa da função profética de Cristo pela difusão de seu testemunho vivo, sobretudo através de uma vida de fé e caridade, e pelo oferecimento a Deus do sacrifício de louvor, fruto de lábios que confessam o seu nome. À função profética pertencem as várias modalidades de relação entre a comunidade dos fiéis e a palavra de Deus: sua acolhida na fé, sua vivência no amor, seu testemunho exterior, seu aprofundamento pela catequese e pela reflexão teológica, a denúncia em seu nome, o anúncio pela pregação, sua meditação na oração pessoal, sua celebração na liturgia comunitária. A pregação da palavra não foi confiada somente a alguns, mas a todos. A palavra cria e reúne constantemente a Igreja, despertando nela a fé e a obediência. Aqueles que foram 'chamados' pela palavra devem não só testemunhá-la, mas pregá-la, segundo o carisma próprio dado a cada um (MISSÃO E MINISTÉRIOS DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS).
A participação no sacerdócio de Cristo faz da Igreja um povo sacerdotal. Há, com efeito, um único e indivisível sacerdócio: o de Jesus Cristo. Nele, todos os cristãos são chamados a oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, a elevar incessantemente a Deus, por meio de Jesus Cristo, um sacrifício de louvor e a não se esquecer de fazer o bem e de praticar a mútua ajuda comunitária, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus. O sacerdócio comum é, pois, um sacerdócio comum a todos os fiéis, isto é, a todos os batizados enquanto professam e vivem a fé. Neste sentido, não é nenhum ministério, mas o culto cristão existencial, que consiste na transformação da totalidade da vida por meio da caridade divina. É, portanto, a própria vida cristã, feita de fé, de esperança e de caridade. É a vivência, suscitada e sustentada pelo Espírito, da vocação universal à santidade, colocando-se a serviço de Deus e de seu Reino, como prosseguimento, na força do Espírito, da prática de Jesus.
A função real é a expressão mais densa das múltiplas e complexas relações que se dão entre a Igreja e o Reino de Deus: as pessoas, a sociedade, ao mundo inteiro; trabalhar pelo Reino significa reconhecer e favorecer o dinamismo divino que está presente na história humana e a transforma; construir o Reino quer dizer trabalhar para a libertação do mal, sob todas as formas; em resumo, o Reino de Deus é a manifestação e a atuação de seu desígnio de salvação, em toda a plenitude.
Por meio de diretrizes e do tríplice múnus comum aos batizados, o discípulo missionário volta-se a realidade para qual é chamado a tornar visível o amor misericordioso do Pai, iluminando todos os contra-valores nela presentes com esperança e amor. Sua vocação consiste em ser fermento novo, fermento de liberdade e de amor; consiste em ser sal, que dá sabor às pequenas e valorosas coisas; consiste em ser luz, para clarificar a verdade, por meio da consciência, e ser claridade nas diversas trevas da ignorância e da corrupção, como também ser sinal de justiça e solidariedade. A promoção da dignidade humana integral é compromisso de quem é apaixonado por Jesus, fonte de força para renovar estruturas, dinâmicas e corações.
Jesus garante a presença e o auxílio aos discípulos, não os desamparando (cf. Mt 28,20): é o próprio Espírito Santo que conduzirá ao caminho da verdade, animando a Igreja e seus discípulos na grandiosa obra de anunciar a Boa nova, curar os enfermos, consolar os tristes, libertar os cativos (cf. Lc 4,16-21). É grandiosa a obra missionária: é compromisso e caminho árduo que exigirá do discípulo e missionário um olhar sempre forte e firme em Jesus, caminho, verdade e vida.
“Alcançar a medida da vida nova em Cristo, identificando-se profundamente com Ele e sua missão, é um caminho longo que requer itinerários diversificados, respeitosos dos processos pessoais e dos ritmos comunitários [...]” (DOCUMENTO DE APARECIDA, p. 132). O círculo vivo do processo de evangelização não para, é dinâmico e aberto às interpelações da realidade. Ao germinar a semente da iniciação cristã, permite-se fazer brotar outro semeador para anunciar o Reino. Portanto, todos os esforços na formação do discípulo missionário não serão em vão, são, pelo contrário, sementes de esperança para o amadurecimento dos cristãos e tentativas de fertilizar o processo evangelizador com estratégias de semeaduras acertadas.
* fonte :*Roberto Bocalete
CATEQUESE EM ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO
O discípulo é aquele que vivencia a força envolvente e transformadora de caminhar com Jesus e alarga seu coração na dinâmica do Reino. Não é o discípulo que escolhe o mestre, mas o Mestre que convida o discípulo ao seguimento e de maneira intrínseca à missionariedade: anunciar o Evangelho a todas as nações (cf. Lc 24,46-48) é compromisso essencial do discipulado. Assim como Jesus faz seus discípulos participarem de tal dimensão, hoje o convite se estende àqueles que fizeram a experiência do encontro, de aprender caminhando, ouvindo e agindo com o Mestre: “Conhecer Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher” (DOCUMENTO DE APARECIDA, p.17).
A missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, é extensão testemunhal da própria vocação. “A maior alegria do discípulo é colocar-se a caminho para anunciar a boa nova do Evangelho, indo incansavelmente ao encontro dos outros, especialmente dos pobres e sofredores [...]” (ANÚNCIO QUERIGMÁTICO E EVANGELIZAÇÃO FUNDAMENTAL, CNBB).
Discipulado e missão são duas faces da mesma moeda: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só ele nos salva (cf. At 4,12). De fato, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro (DOCUMENTO DE APARECIDA, p.76).
Na Bíblia o termo missão é central e está ligado a grande iniciativa salvífica de Deus em Jesus Cristo. A missão de Jesus é envio que procede do Pai e se realiza sob a ação do Espírito Santo; esta mesma missão é comunicada aos apóstolos: “Assim como o Pai me enviou, eu envio vocês” (cf. Jo 20, 21), com o objetivo de evangelizar a todos os povos. “Este mandato tem sua fonte na Trindade, começa a ser realidade desde a encarnação e se desenvolve como redenção ou resgate-libertação da humanidade inteira” (DICIONÁRIO DE CATEQUÉTICA, p.753). A Igreja, portanto, é por sua natureza missionária : a missão não é algo acrescentado à comunidade eclesial e ao discípulo, mas é razão de ser, sua própria natureza. A Igreja existe para evangelizar, levar a boa notícia a todos os ambientes, transformar a partir de dentro e renovar a própria humanidade; para isso, necessita contar com os discípulos missionários.
A Igreja é chamada a anunciar a salvação em Cristo e o Reino de Deus, mas só pode fazê-lo demonstrando sua solidariedade e sua disposição de serviço para com toda a humanidade, sua atitude de diálogo na busca da verdade e sua capacidade de gerar comunidades onde já se vive de algum modo aquela comunhão com Deus e com os irmãos, que é realização germinal do Reino de Deus.
O mandato missionário, dado aos doze, é dado a toda a Igreja, que os doze e os demais discípulos constituem no início. É a Igreja que vai em missão e cada missionário fará sua missão em comunhão com a Igreja. De fato, Jesus, desde o início de sua vida pública, mostra que seu projeto é reunir os filhos de Deus. Este povo terá como lei o amor, o amor a Deus e ao próximo (HUMMES).
No presente contexto, atitudes e procedimentos missionários bem esclarecidos são essenciais. Os discípulos missionários precisam desenvolver generosamente uma mentalidade missionária para o sucesso da evangelização: testemunho pessoal e comunitário; presença pessoal e caritativa em meio às pessoas; fazer-se amigo dos interlocutores, diálogo e respeito ao diferente; favorecer abertura às perguntas sobre temas como o sofrimento, a morte, esperança, o mal; inserir elementos básicos no anúncio: a misericórdia de Deus, a vocação das pessoas humana à vida eterna no Reino de Deus, a lei do amor ao próximo, Jesus Cristo e salvação da humanidade etc.
Outra forma de descrever a missão de Cristo e da Igreja está no múnus profético como ministério da Palavra de Deus, o múnus sacerdotal como ministério litúrgico ou do culto, o múnus real (régio) como ministério do governo ou pastoreio do Povo do Deus.
O Povo de Deus participa da função profética de Cristo pela difusão de seu testemunho vivo, sobretudo através de uma vida de fé e caridade, e pelo oferecimento a Deus do sacrifício de louvor, fruto de lábios que confessam o seu nome. À função profética pertencem as várias modalidades de relação entre a comunidade dos fiéis e a palavra de Deus: sua acolhida na fé, sua vivência no amor, seu testemunho exterior, seu aprofundamento pela catequese e pela reflexão teológica, a denúncia em seu nome, o anúncio pela pregação, sua meditação na oração pessoal, sua celebração na liturgia comunitária. A pregação da palavra não foi confiada somente a alguns, mas a todos. A palavra cria e reúne constantemente a Igreja, despertando nela a fé e a obediência. Aqueles que foram 'chamados' pela palavra devem não só testemunhá-la, mas pregá-la, segundo o carisma próprio dado a cada um (MISSÃO E MINISTÉRIOS DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS).
A participação no sacerdócio de Cristo faz da Igreja um povo sacerdotal. Há, com efeito, um único e indivisível sacerdócio: o de Jesus Cristo. Nele, todos os cristãos são chamados a oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, a elevar incessantemente a Deus, por meio de Jesus Cristo, um sacrifício de louvor e a não se esquecer de fazer o bem e de praticar a mútua ajuda comunitária, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus. O sacerdócio comum é, pois, um sacerdócio comum a todos os fiéis, isto é, a todos os batizados enquanto professam e vivem a fé. Neste sentido, não é nenhum ministério, mas o culto cristão existencial, que consiste na transformação da totalidade da vida por meio da caridade divina. É, portanto, a própria vida cristã, feita de fé, de esperança e de caridade. É a vivência, suscitada e sustentada pelo Espírito, da vocação universal à santidade, colocando-se a serviço de Deus e de seu Reino, como prosseguimento, na força do Espírito, da prática de Jesus.
A função real é a expressão mais densa das múltiplas e complexas relações que se dão entre a Igreja e o Reino de Deus: as pessoas, a sociedade, ao mundo inteiro; trabalhar pelo Reino significa reconhecer e favorecer o dinamismo divino que está presente na história humana e a transforma; construir o Reino quer dizer trabalhar para a libertação do mal, sob todas as formas; em resumo, o Reino de Deus é a manifestação e a atuação de seu desígnio de salvação, em toda a plenitude.
Por meio de diretrizes e do tríplice múnus comum aos batizados, o discípulo missionário volta-se a realidade para qual é chamado a tornar visível o amor misericordioso do Pai, iluminando todos os contra-valores nela presentes com esperança e amor. Sua vocação consiste em ser fermento novo, fermento de liberdade e de amor; consiste em ser sal, que dá sabor às pequenas e valorosas coisas; consiste em ser luz, para clarificar a verdade, por meio da consciência, e ser claridade nas diversas trevas da ignorância e da corrupção, como também ser sinal de justiça e solidariedade. A promoção da dignidade humana integral é compromisso de quem é apaixonado por Jesus, fonte de força para renovar estruturas, dinâmicas e corações.
Jesus garante a presença e o auxílio aos discípulos, não os desamparando (cf. Mt 28,20): é o próprio Espírito Santo que conduzirá ao caminho da verdade, animando a Igreja e seus discípulos na grandiosa obra de anunciar a Boa nova, curar os enfermos, consolar os tristes, libertar os cativos (cf. Lc 4,16-21). É grandiosa a obra missionária: é compromisso e caminho árduo que exigirá do discípulo e missionário um olhar sempre forte e firme em Jesus, caminho, verdade e vida.
“Alcançar a medida da vida nova em Cristo, identificando-se profundamente com Ele e sua missão, é um caminho longo que requer itinerários diversificados, respeitosos dos processos pessoais e dos ritmos comunitários [...]” (DOCUMENTO DE APARECIDA, p. 132). O círculo vivo do processo de evangelização não para, é dinâmico e aberto às interpelações da realidade. Ao germinar a semente da iniciação cristã, permite-se fazer brotar outro semeador para anunciar o Reino. Portanto, todos os esforços na formação do discípulo missionário não serão em vão, são, pelo contrário, sementes de esperança para o amadurecimento dos cristãos e tentativas de fertilizar o processo evangelizador com estratégias de semeaduras acertadas.
* fonte :*Roberto Bocalete
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO - V
“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).
Hoje, o que mais ouvimos dos catequistas que estão na coordenação da animação Bíblico-catequética da sua comunidade, é a reclamação sobre a dificuldade para coordenar e animar o grupo de catequistas. Por isso, é necessário que estejamos atentos a este novo tempo que estamos vivendo. O documento de Aparecida fala de um novo perfil de ser humano nestes novos tempos, nos apresenta uma mudança de época que traz consigo algumas incertezas e inseguranças. É bom olharmos para a história e buscarmos perceber que tipo de ser humano estamos tendo em nossa época.
coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” (1Pd 4,10).
Hoje, o que mais ouvimos dos catequistas que estão na coordenação da animação Bíblico-catequética da sua comunidade, é a reclamação sobre a dificuldade para coordenar e animar o grupo de catequistas. Por isso, é necessário que estejamos atentos a este novo tempo que estamos vivendo. O documento de Aparecida fala de um novo perfil de ser humano nestes novos tempos, nos apresenta uma mudança de época que traz consigo algumas incertezas e inseguranças. É bom olharmos para a história e buscarmos perceber que tipo de ser humano estamos tendo em nossa época.
Nestes novos tempos percebemos um fenômeno mundial novo sobre o exercício da autoridade, pois este sofreu algumas mudanças radicais muito grandes. Percebemos o modelo que passou de um procedimento de prescrição de deveres, normas, tarefas ou práticas para um procedimento de mais liberdade e de escolhas, de buscas, de tentativas, onde as pessoas podem por si mesmas determinarem os valores o tipo de ser humano que querem ser e o modo de integrar-se na sociedade.
A partir destas mudanças, temos um ser humano que pode caminhar por si só, contudo, aparecem as incertezas pela multiplicidade de caminhos, dificuldades no discernimento que geram inseguranças, surgem as dúvidas, ausências e falta de horizontes. Aqui surge o papel do coordenador e o seu exercício como ministério de quem coordena.
O Ministério da Coordenação é o serviço que suscita e integra, por meio de ações concretas, as forças vivas da catequese: pároco, catequistas, pais, catequizandos e as outras pastorais.
Exercer este ministério, não é decidir tudo, caminhar sozinho, ser o dono da verdade, mas é aquele que, junto com outro, descobre caminhos. Exercer o ministério da coordenação na catequese é gerar vida e criar relações fraternas. É promover o crescimento da pessoa, abrindo espaço para o diálogo, a partilha de vida, a ajuda aos que necessitam de presença, de incentivo e de compreensão. Esse ministério se alimenta na fonte de espiritualidade que decorre do seguimento de Jesus Cristo. Não é uma função, mas uma missão que brota da vocação batismal de servir, de animar, de coordenar. Pela coordenação, o projeto de catequese avança, cria relações fraternas, promove a pessoa humana, a justiça e a solidariedade. A coordenação deve ser missionária, inserida na comunidade, formadora de atitudes evangélicas, comprometida com a caminhada da catequese e com as linhas orientadoras da diocese (DNC 316).
O ministério da coordenação deve ser exercido como quem acompanha, ou seja, o/a catequista coordenador deve ser presença, pois acompanhar, para nós, dever ser entendido como um modo de localizar-se diante do outro, é um processo de estar junto ao outro. É a postura de estar com o outro. O coordenador é aquele que ajuda o grupo de catequista a crescer nas dimensões humana e espiritual. É fundamental no processo do crescimento e desenvolvimento humano a figura do outro que nos acompanha. A pessoa madura necessita de orientação como estímulo daquilo que foi produzido e do que deve cuidar. A partilha determina a profundidade da vida.
Este ministério deve ser exercido com alegria, como uma fonte de espiritualidade, como um serviço em prol do Reino: animando os catequistas, abrindo novos horizontes, atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações diocesanas, criando um clima de acolhida, partilha e confiança. Desse modo, a Catequese surge como luz na comunidade.
Existem diversas maneiras de exercer a coordenação. Dentre elas destacamos as seguintes: Coordenação centralizadora – sobressai a função. O coordenador não divide tarefas. Não confia totalmente no grupo. Normalmente uma coordenação centralizada é autoritária, por vezes distante da caminhada da catequese e dos reais problemas dos catequistas, dos catequizandos, dos pais e da comunidade cristã. Numa coordenação centralizadora, com facilidade surgem os descontentamentos, as divisões, os subgrupos, o desânimo e as desistências.
Coordenação fraterna, democrática – caracteriza-se pelo serviço, pela animação, pela distribuição das tarefas, pela confiança nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas, pelo relacionamento humano, afetivo, carinhoso, alegre, mesmo nos erros e nas tensões. Esse modelo de coordenação acolhe as sugestões, aceita com humildade as críticas, aponta sempre uma luz nas horas de tensões. Acima de tudo, elabora um projeto catequético-participativo capaz de gerar um processo de educação da fé na comunidade.
Características do serviço da coordenação (DNC, n.318)
a) assumir este ministério como uma missão que brota de uma experiência de vida cristã comunitária;
b) entender o significado do serviço de coordenação e suas atribuições;
c) suscitar vida entre as pessoas, cultivando um relacionamento humano, fraterno e afetivo;
d) perceber a realidade sócio-econômica-política-eclesial e cultural que envolve as pessoas e as comunidades. Não há uma coordenação neutra: ela está situada num contexto sócio-cultural em nível local, nacional, mundial;
e) assumir as exigências da coordenação como um serviço em benefício do crescimento das pessoas e da comunidade. Este serviço expressa a experiência de partilha, de descentralização, da missão realizada em equipe, de relações fraternas, sinalizadoras de um novo modo de viver que brota do Evangelho;
f) criar uma rede de comunicação entre as diversas instâncias: comunidade, paróquia, diocese, regional e nacional;
g) adotar a metodologia do aprender a fazer fazendo, tendo presentes objetivos claros e ações concretas a serem desenvolvidas;
h) ter capacidade para perceber que as pessoas têm saber, capacidades, valores, criatividade e intuições que contribuem para o exercício da coordenação;
i) desenvolver qualidades necessárias para um trabalho em equipe: capacidade de escutar, de aprender, de dialogar; reconhecer os valores do grupo; proporcionar o crescimento da consciência crítica, da participação e do compromisso; expressar solidariedade nas dificuldades e nas alegrias; ter um espírito organizativo;
j) saber lidar com desencontros, problemas humanos e situações de conflito com calma, num clima de diálogo, caridade e ajuda mútua;
k) perceber a realidade e a estrutura da graça, mais do que a eficiência e o ativismo;
l) buscar e partilhar conhecimento atualizado sobre planejamento participativo;
m) integrar-se com as demais pastorais (pastoral orgânica).
Fonte:
Pe. Eduardo Calandro
Pe. Jordélio Siles Ledo, css
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